Bombardeio da OTAN na República Federal da Iugoslávia – 13 anos se passaram

720

No último sábado, completaram-se 13 anos desde o início do ataque aéreo da OTAN à República Federal da Iugoslávia. Com início no dia 24 de março de 1999, foram 78 dias de desespero e muito sofrimento para todos os cidadãos sérvios. Foram dias que mudaram a vida de toda uma nação e que jamais serão esquecidos.

Uma reportagem do site espanhol da Serbios Unidos, cita o conflito como o mais desigual da recente história da humanidade, no qual a supremacia militar do agressor era 40 vezes maior. O bombardeio, que aconteceu sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, começou após negociações sem sucesso para resolver a crise na província autônoma de Kosovo e Metohija, sob pretexto de que a OTAN estaria assim evitando uma catástrofe humanitária na região. Vale lembrar que a OTAN foi criada como uma “união defensiva” para atuar apenas em território de seus Estados membros e a República Federal da Iugoslávia certamente não era um deles.
Acontece que a intervenção deles, com a chamada Operação Força Aliada, foi a catástrofe humanitária em si. De acordo com dados de diferentes fontes, morreram em torno de 2.500 pessoas, em sua maioria civis. A infraestrutura econômica do país foi completamente devastada com o bombardeio de  fábricas, ferrovias, usinas, escolas, hospitais, pontes, monumentos e muitas outras construções importantes, destacadamente nas cidades de Belgrado e Novi Sad. Economistas estimam que o prejuízo material chegou a 29,6 bilhões de dólares.
Com os ataques, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) afirma que cerca de 230 mil sérvios, ciganos e não-albaneses deixaram a província de Kosovo e Metohija e grande parte destes nunca voltaram. Enquanto isso, estima-se que 80 mil albaneses ocuparam a região, o que contribuiu fortemente para a futura declaração unilateral de independência desta província em 2008, então ocupada majoritariamente por albaneses.
O atentado terminou no dia 10 de junho de 1999 com a adoção da Resolução 1244 do Conselho de Segurança da ONU, após representantes da NATO e do exército da República Federal da Iugoslávia assinarem o Acordo Técnico-Militar, que estipulava a retirada das forças do exército iugoslavo de Kosovo e a entrada de tropas militares internacionais no sul da província. Esse documento também confirmou expressamente a soberania Sérvia sobre o Kosovo e Metohija, mas isso não impediu que uma parte da comunidade internacional apoiasse e incentivasse as aspirações separatistas dos albaneses que lá viviam e depois logo reconhecesse a independência da província. Segundo muitos analistas, isso revela o verdadeiro motivo por trás da agressão da República Federal da Iugosláva pela OTAN.
Em toda a Sérvia, o dia 24 de março é comemorado anualmente em memória das vítimas dos ataques de 1999, bem como de todos que morreram em guerras civis na década de 90. A tradição é colocar grinaldas e flores em monumentos construídos em homenagem às vítimas. O presidente Boris Tadić o fez na cidade de Aleksinac, enquanto representantes da cidade de Belgrado, da polícia e do exército da Sérvia o fizeram no parque Tašmajdan, na própria Belgrado.
Boris Tadić declarou que os ataques foram um crime contra a Sérvia e seu povo e, após colocar sua grinalda no monumento em Aleksinac, disse aos repórteres:
“Nosso país esteve muito imerso em guerras durante o século XX e o que quer que façamos no futuro deverá ser feito de forma que não nos envolvamos em nenhum tipo de guerra, preservando a vida e o nosso país.” – Boris Tadić
Os bombardeios e as demais guerras civis deixaram profundas marcas culturais e econômicas no país, que podem ser notadas até hoje. Recomenda-se discrição ao tratar do assunto com um sérvio, porque nunca se sabe quem perdeu amigos ou parentes durante o conflito. Uma coisa é certa: todos tem alguma história pra contar, até mesmo as gerações mais jovens, que apesar da pouca idade viveram coisas que nós brasileiros não fazemos ideia de como sejam. A Sérvia, que renasceu das cinzas mais uma vez, ainda luta para se recuperar da grande crise econômica decorrente dos ataques de 13 anos atrás. Basta uma caminhada pela rua Kneza Miloša para avistar o grande edifício sede do exército Iugoslavo que foi bombardeado, mas que continua erguido, como mostra a foto abaixo.


NO COMMENTS

LEAVE A REPLY