Europa: Primeira Turnê Internacional

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Início da viagem…

Minha primeira vez na Europa, que bom ter sido através da música!! Estou muito feliz!!

Rumo à Espanha, Madrid, me sinto como os antigos espanhóis, realizando a mesma viagem, porém em sentido contrário, do Novo Mundo ao mundo descoberto, desbravando o coração da Europa tal conquistador, mas minha conquista não é material, sou um explorador, mas de sentimentos, minha conquista será a aceitação, o respeito e a apreciação da nossa cultura, da nossa música pelos europeus. Minha vitória serão apenas os aplausos, o reconhecimento do valor deste nosso país, deste nosso Brasil querido que, a partir daqui, tenho a honra e a missão de representar bem; se conseguir, esta será a grande e almejada vitória.

Esperando meu voo em Guarulhos:

No meio da noite, durante o voo, vejo uma luz surgir, fiquei com medo, parecia um outro avião vindo, sei lá… Mas era a Lua, e foi muito emocionante, eu sabia que era uma Lua minguante e que do Brasil esta Lua se assemelha a uma letra “D” (guardei como Decrescente) e apesar disso a Lua estava no formato de uma letra “C”, indicando que eu já havia cruzado a linha do equador e que já sobrevoava o hemisfério norte: que emoção! No céu as estrelas formavam as constelações de uma maneira espelhada com relação ao que vemos por aqui! (a foto abaixo foi tirada horas mais tarde)

Cheguei em Madrid e como teria que esperar por 10h pelo próximo voo da minha conexão, resolvi sair do aeroporto e conhecer a cidade, meu objetivo era comer um sanduíche de “jamon ibérico” e ir ver as obras de Pablo Picasso que estão no museu “Reina Sofia”.

Imagens da cidade, fiquei maravilhado com o que vi, Madrid é linda!!

Eu gostaria muito de saber o que é uma “guitarreria”:

Após me alimentar com um delicioso sanduba, fui ao museu para ver de perto, ao vivo mesmo, uma obra que era um sonho antigo meu poder apreciar: o “Guernica”!!! U-hu-hu!! É lindo!!

Mas ainda tinha Salvador Dalí, Miró, nossa, grandes artistas plásticos, um verdadeiro “prato cheio” para quem curte obras de arte e deixo aqui o link do museu:

 

http://www.museoreinasofia.es
 

De Madrid segui para Londres e a vista aérea mostrava a organização da cidade, é impressionante de ver:

Saí de casa no dia 05/09/2012 às 8h30min da manhã e só fui dormir (contando todo o tempo de conexão, problemas com as malas que estragaram, taxi até chegar no hotel, check-in no hotel e etc) às 3h da manhã do dia 07/09/2012, horário local que são 5h a mais do que o Brasil… Nossa!! Foram 43h de Campinas até o hotel, cheguei moído! Mas como já dizia o Mílton Nascimento: “(…) para cantar nada era longe, tudo tão bom! (…) todo artista tem de ir aonde o povo está, se foi assim, assim será (…)”

Um visto para poder tocar na Sérvia…

Apesar de tudo, só pude dormir por 5h, pulei da cama às 8h00min, tomei o café e saí voando, eu precisava ir até a embaixada da Sérvia conseguir o visto de entrada, senão não poderia fazer o show lá no domingo 09/09/2012, ainda me deram uma chance, porque o visto teoricamente só sairia em dois dias úteis, foram camaradas e fizeram na hora, ou melhor, em duas horas e pouco… De lá mesmo já liguei para o produtor musical em Belgrado na Sérvia que esperava ansioso por notícias: “Pedja!!! Estou com o visto, prepare tudo que teremos um show em Belgrado no domingo!”… Que vitória!

Aí pude caminhar por Budapeste e ver de perto suas maravilhas, tomar o primeiro contato mais direto com o húngaro, que, segundo o dito popular é a única língua que o Diabo respeita… Uma língua dificilima mas linda de se ouvir, muito sonora mesmo.

Por pura casualidade passei em frente ao museu do terror e acabei entrando para conhecer. Basicamente um museu contando as mazelas das torturas ocorridas durante as ditaduras de Stálin e Hitler… Senti alguma confusão ideológica no que vi, pois, se é que eu aprendi bem em história, foram exatamente os comunistas que derrotaram definitivamente os nazistas, no museu isso não fica claro e parece às vezes que ambos os Estados eram até aliados…

De um jeito ou de outro só pensei mesmo foi na nossa ditadura militar que fez também atrocidades comparáveis…

A recepção na embaixada…

Corri para o hotel para me preparar para a recepção na embaixada… Eu tinha um convite muito especial e importante assinado pelo nosso embaixador sr. Sérgio Eduardo Moreira Lima:

E ele é uma figura, no meio de toda aquela formalidade, a nata da diplomacia reunida de terno e gravata, embaixadores e cônsules do mundo todo e ele não perde a brincadeira com seu jeito espirituoso de carioca: “Nando Penteado!! Você está famoso por aqui, a sua foto está espalhada por toda a cidade!”

Hahahahaha!!! Muito engraçado…

Foi aí que conheci pessoalmente a Judith Klein, pessoa maravilhosa com quem até então eu só havia falado pela internet, a produtora cultural que organizou tudo para os meus shows em Budapeste.

Um pouco da recepção:

Na saída o Gyuri, companheiro da Judith, um húngaro muito gentil me levou para conhecer a cidade, um city tour muito bacana e passamos em frente da casa onde viveu o pianista e compositor Franz Liszt (ou Liszt Ferenc no língua nativa), aí o registro (fiz em homenagem ao meu amigo João Martinez):

Voltei para o hotel e dormi finalmente!! Dormi por onze longas horas, desci para tomar um gostoso café da manhã e a grande surpresa no lobby do hotel: o Mathias Schelp e a Paula Fortes haviam chegado da Alemanha depois de viajarem uma noite de trem para poderem ver o show que aconteceria à noite no Szimpla Kert… Puxa, que honra!!

Na brincadeira eu desafiei o meu fiel fã clube quando anunciei a turnê pelo leste europeu, pois em TODOS os meus shows ao menos alguém sempre aparece, não importa em que cidade, onde, quando, sempre tem alguém! Então lancei o desafio: “quero ver quem vai para Budapeste!”… Em algumas horas recebo um e-mail do Mathias: “Nando, eu vou!”… Passadas mais algumas horas um segundo e-mail: “No impulso comprei minha passagem de trem, vou pelo Expresso do Oriente até Budapeste!”… Algumas horas mais e a sua namorada também confirma a ida.

Puxa, gente, que alegria! Passamos um dia juntos nos divertindo pela cidade, visitando o mercado (imperdível), andando pelas ruas, um momento muito especial mesmo, que agora compartilho com vocês nestes slides abaixo:

Mais tarde fomos conhecer o local onde eu faria o show, na entrada uma surpresa: lá estava meu nome no cartaz! Hehehe…

E tinha um folder em três línguas: Português, Húngaro e Inglês…

E também um flyer…

O primeiro show em Budapeste…

Noite de abertura da “Semana do Brasil” na Hungria, em Budapeste no bar Szimpla Kert, considerado pelo guia de turismo “Lonely Planet” o 3º melhor bar do mundo, o “Garota de Ipanema” iníciou o show:

E aí vão 76 fotos clicadas pela Paula Fortes, desde o momento em que chegamos com o bar meu vazio, a passagem de som e todo o show:

O pessoal do bar também captou um vídeo muito legal, este é o “Berimbau” do Baden com o Vinicius:

Mais algumas fotos feitas pelo Mathias Schelp e pelo Gyuri:

Ao final, a audiência pediu bis; e para além da última fila, um grupo enorme de pessoas em pé se manisfestava de maneira eufórica, a maioria era composta por brasileiros, depois falei com eles, alguns há semanas longe do Brasil, outros há meses e outros ainda há anos longe da pátria, aquilo era “um pouquinho de Brasil, ai, ai, desse Brasil que canta e é feliz”…

Resolvi mandar um Tom Jobim para encerrar, um “Samba do Avião”, e aí foi comoção geral, a galera cantando alto e forte a plenos pulmões, com os braços abertos esticados para cima: “minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro, estou morrendo de saudaaaaaadeeeeesssss!!!”. Olha… Foi muito lindo mesmo! Emocionante…

Indo para a Sérvia, destino: Belgrado!

Na manhã seguinte, tomei uma espécie de uma van que o pessoal chama de “minibus” por lá, eu imaginava um microônibus, mas era algo bem menor… Um serviço de pegar as pessoas em hotéis ou no aeroporto e levar de Budapeste para Belgrado.

Baita sono!!!!

Foi neste caminho, na van, que conheci uma pessoa formidável, nossa mãe, que “boas vindas” eu pude receber!!

Era o Sasha (“Saša”, na verdade), na foto abaixo.. Um sérvio ufanista nacionalista, durante a viagem me ensinou a dizer “boa noite”, “obrigado”, “até logo” no idioma, me contou dezenas de histórias do seu país, foi muito bacana… Ao cruzarmos a fronteira da Hungria com a Sérvia, paramos em um posto, ele fez questão de me pagar a cerveja “my country! I pay the beer!”… Mas o melhor ainda estava por vir, fomos para uma mesa lá fora porque a Lídia (da foto) precisava fumar um cigarrinho e fiquei ouvindo mais histórias da Sérvia… Lá pelas tantas o Sasha tem um estalo “Você vai precisar de dinheiro da Sérvia!” (disse em inglês) e ato contínuo tirou da carteira o equivalente a uns R$20 e me ofereceu!!!! Eu digo: “Não, Sasha, não posso aceitar, tenho cartão de crédito, euros, não há porque!”, mas ele insistiu muito e tive que aceitar, pode isso?!?!?!?! Como tem gente boa no mundo, as pessoas ruins aparecem, se destacam demais, mas podem acreditar, tem muuuuuuita gente boa no mundo e durante esta minha viagem eu topei com várias delas!

Entrando no minibus dei um dos meus CDs para ele, era o mínimo! E disse que ele e sua família seriam meus convidados de honra no show e que não pagariam o ingresso… À noite ele apareceu com os filhos gêmeos, fiquei bastante emocionado com o que aconteceu, de verdade que eu quase chorei de ver como uma pessoa pode ter um coração tão bom e ter tratado tão bem um turista que acabara de conhecer…

A primeira coisa que de cara já me encantou na Sérvia foi o alfabeto cirílico, achei muito charmoso e a sensação de ver aqueles letreiros e placas todas foi muito boa, aí está um exemplo

Na língua da Sérvia, “grad” significa cidade e “beo” significa branco, a cidade branca ou “the white city”… É muito bonita, e lá estava eu de novo maravilhado com o alfabeto cirílico

Uma coisa deliciosa na Europa são os parques ou as praças gigantescas, que em geral ficam nos centros das cidades, são de facílimo acesso… Num destes lugares apreciei de longe o som de uma música sérvia executada por um senhorzinho com um acordeon e dançada alegremente por um grupo de pessoas mais velhas em um belo entardecer em Belgrado

O show em Belgrado…

Já era tarde e partimos para o Centro Cultural onde aconteceria o show na Sérvia

O show foi maravilhoso, a aceitação da Música Popular Brasileira (MPB) na Europa é espantosamente boa!! O melhor é que o tipo de música que eu faço, o tipo de música de que eu gosto, é exatamente o que eles apreciam também, então eu não precisei fingir nada, apenas toquei o que gosto de tocar, da forma como sei fazer, só fui eu mesmo, e que bom que isso era bem aceito por eles…

Tive orgulho de ser brasileiro, de carregar a nossa cultura comigo para onde eu vou, sou brasileiro pra pensar, para andar, para agir, cada acorde do meu violão, cada nota da minha voz transpira Brasil, e isso é natural em mim; foi uma honra muito grande levar nossa cultura para a Europa desta maneira.

Contei com a participação especial de duas garotas da Sérvia, a loirinha Emilja e a mais morena Tijana que além de cantar toca flauta muito bem, cada uma fez uma participação e terminamos o show os três juntos com um delicioso “Wave”: ‘vou te contar, os olhos já não podem ver…’

Ambas cantavam em português!!! Olha, gente, realmente nós brasileiros desconhecemos o grande valor da nossa cultura.

E é muito interessante a maneira como os europeus são contemplativos, um centro cultural com mais de 150 pessoas e quase não se conversava, todo mundo concentrado para ouvir a música, para curtir o show, um prazer um grande para qualquer artista!

Como um bom bohêmio que sou, não poderia deixar de seguir a noite com um pouco mais de música e uma merecida cervejinha entre os novos amigos que acabara de conhecer.

Este show em Belgrado custou muitos esforços meus e do meu produtor musical Pedja para que desse certo e que acontecesse… Diversas vezes no meio do caminho pensamos em desistir e foi com muita persistência de ambos que tudo ocorreu de uma maneira fantástica.

A gente tinha que comemorar isso!!

Mas mesmo ali, entre os amigos, quando começamos a tocar, eu e a flautista, a galera se manteve a uma distância de nós, colocavam os copos delicadamente sobre o balcão para não fazerem barulho, não conversavam, ouviam a música, ao final até batiam palmas como se fosse um show particular mesmo.

O local era a “Casa Garcia”, do espanhol Roberto, gente finíssima que conseguiu criar uma lugar pra lá de especial, simples mas delicioso de se estar.

Eu disse ao Roberto: “su bar deberia se llamar ‘bar esperanza’ porque es el último que se cerra”.

De fato, a madrugada já ia alta quando resolvemos ir para casa e dormir, e assim terminamos aquela noite quente em Belgrado, com música, cerveja e amigos, comemorando o sucesso de tantos esforços despendidos…

O city tour na Sérvia…

O dia seguinte tirei para conhecer Belgrado, uma beleza de cidade, e o Pedja dizia incessantemente e pleno de alegria “Penteado no Belgrado”, é, Pedja, nós conseguimos!!

E eu lá ia querer um produtor sérvio melhor do que o Pedja? Saca só a camisa dele, hehehe…

Nos braços ele carregava a cachorrinha Mici (“mitsi”) que sabe fazer diversos truques.

Quando publiquei a foto no Facebook, uma garota muitíssimo observadora apontou para um fato surpreendente, olhem o coração que se formou na calça do Pedja! (clicando a foto amplia)

Aí seguem umas fotos da cidade, tem este ar de Europa, e de quando em quando a gente topa com algum dos prédios destroçados nos bombardeios da época da guerra, algo bem assustador.

E lá fui eu pelas ruas tentando falar em sérvio, pedindo e comprando coisas: “yedno voda gazirana, molim, kolico kosta?” (uma água com gás, por favor, quanto custa?) – metiiiiido!!

O jantar ficou por conta da dona Liliana, mãe do produtor, mais uma recepção carinhosa que tive nesta viagem…

Só gente boa cruzou o meu caminho!

Gastei 6h para ir da Hungria à Sérvia mas por problemas com o minibus, a volta levou 9h!!! Fui dormir às 6h da manhã, estava tão exausto que o dia seguinte passei inteiro no quarto do hotel, sai rapidamente às 17h para almoçar e retornei pois no outro dia tinha mais um show em Budapeste…

Cores do Brasil…

No âmbito das artes plásticas, o Brasil também levou à Hungria a sua cultura em cores e formas, era o momento da abertura da exposição “Cores do Brasil em Budapeste” em seu segundo release.

A vernissage contou com a presença de alguns dos artistas, o pessoal da nossa embaixada e claro, o povo húngaro, muito culto e apreciador das belas artes.

Abaixo a minha querida produtora cultural na Hungria, a Judith Klein, e o nosso embaixador sr. Sérgio Eduardo Moreira Lima

Algumas obras e seus autores e um pessoal que trabalha na embaixada: Rafael, Wagner e Bruna.

Então, como a atração musical desta vernissage, tive o prazer de fazer um show em uma praça pública, porém, com muito espanto recebi a notícia da produtora: “conseguimos autorização para fazer o show na praça, mas não para utilizarmos amplificadores, caixas e microfones”.

“Nossa!!” – pensei comigo – “Fer-rou!! Ninguém vai ouvir nadaaaaa!!”

Ledo engano, colocaram uma cadeira para mim nas escadarias de um monumento, o povo ficou ao redor, em pé, e não havia somente jovens não, havia também pessoas com uma certa idade… O silêncio era incrível, ouvia-se um mosquitinho passar, a atenção das pessoas para ouvir foi algo fabuloso, contamos com a ilustre presença do embaixador na platéia.

A uma certa altura perguntei à produtora “Será que eles estão cansados? É melhor encerrar o show antes?”, e ela respondeu sorrindo “Você acha que se não estivessem gostando, estariam aí em pé?”.

Mas quem me conhece, sabe o carinho que tenho pelo meu público, resolvi mandar em inglês: “Pessoal, estou incomodado que vocês estejam aí em pé, vamos fazer uma inversão? Vocês vem para cá nas escadarias e eu vou para o chão, que tal?”.

No mesmo instante várias pessoas me ajudaram a descer; o público se acomodou no monumento, que virou uma espécie de arquibancada, algumas pessoas sentaram nos bancos da praça e aí consegui levar o show mais tranquilo, com o público mais no alto, como se estivéssemos em um belo teatro de arena… A praça e seus arredores desenhavam um cenário belíssimo, a noite estava linda e o violão penetrava na escuridão da noite levando os meus acordes à distância.

Havia um pequeno grupo de brasileiros, umas dez ou quinze pessoas, me pediram um Adoniran, tentei explicar um pouco aos húngaros a importância dele em nossa música, de sua genialidade na simplicidade e decidi cantar o “Trem das Onze”, dizendo que a letra da canção contava o meu momento ali, eu queria ficar mais, porém já chegava a minha hora de regressar ao Brasil.

Os brasileiros terminaram em coro junto comigo este show de uma maneira muito marcante, foi lindo de ouvir aquilo:

“Soooooou fiiiiiiilho único, tenho minha casa pra olhar, eu não posso ficar!”

Um dia de folga em Budapeste…

De missão cumprida, meu último dia em Budapeste foi livre e decidi ir conhecer a região do Castelo de Buda… Segundo me contaram, Budapeste resulta da união de duas cidades que são Buda e Peste, o lado Peste é onde fiquei e é onde está mais o “agito” da cidade, o lado Buda é um lado mais histórico.

Foi aí que pude concordar com meu amigo Reginaldo Meloni: “Nando, Budapeste é deslumbrante!!”, e é mesmo, Régis!

Abaixo algumas fotos da igreja Matias, uma catedral gótica, das muralhas do castelo e do baluarte dos pescadores, tem ainda muita foto do rio Danúbio e de suas pontes imponentes

A viagem de volta ao Brasil…

Eu enfrentaria mais umas 30h de viagem do hotel em Budapeste até chegar em minha casa em Campinas.

Foi um tempo importante para pensar em tudo quanto havia acontecido comigo em tão poucos dias, e da janela do avião, vendo a paisagem européia, comecei a pensar no que haveria na Europa que fosse realmente muito diferente do que há no Brasil, porque tantas pessoas (brasileiros) falam mal do Brasil, tantos dizem que “lá fora é assim, lá fora é assado, é muito melhor” e apesar disso continuam vivendo por aqui. O que há de tão diferente por aqui na Europa? Se é que há mesmo…

O que muda muito do Brasil para a Europa?

Olhando de cima, a Europa tem mais verde do que se possa imaginar, a visão “satélite” do Google Maps comprova o que eu digo, ainda que não seja de mata nativa…

Os europeus são mais cultos, em linhas gerais? Sim, são! Mas culpar os brasileiros pela falta de educação e de cultura seria como culpar a vítima de um estupro pela violência que sofreu, nossa educação sempre esteve à mercê dos colonizadores e posteriormente do imperialismo, tenho feito um trabalho em escolas infantis tocando Jobim, Caymmi, Chico e etc para crianças de 9 a 16 anos e eles adoram, prestam atenção como os europeus fizeram, o brasileiro tem bom gosto mas infelizmente a mídia só se interessa em divulgar produtos de má qualidade que podem ser substituidos facilmente, já imaginaram quem uma gravadora colocaria no lugar de um João Bosco? De um Djavan? Então investem nos substituíveis, mas isso não quer dizer que seja por exigência do povo, aliás, mesmo em bairros mais carentes de Campinas (cidade onde vivo), quando toca a orquestra sinfônica lota, então não sei se é o DNA do brasileiro ou se são interesses escusos que impõem o lixo às massas, aliás, eu sei sim!!!

A criminalidade é menor na Europa? Sim, e muito, acho que essa é a maior diferença mesmo, eu andava à noite com o violão nas costas, contava dinheiro em público durante o dia, andava com a câmera fotográfica pendurada e sabia, que apesar do risco existir, a chance de um roubo era mínima, talvez um furto…

No entanto me chamou a atenção que mesmo lá todas as bicicletas ficassem amarradas e pasmem, diversos carros com aquelas inconvenientes travas de direção, chatíssimas de por e tirar…

Então pensei em tudo o que vi, lendo os jornais e andando nas ruas, de uma forma ou de outra os problemas que temos por aqui eles também tem por lá… Tem político corrupto, tem greve por melhores salários, tem muito pobre, tem gente pedindo esmolas nas ruas, tem cego cantando, vi um cara sem os pés esmolando, um outro me pediu esmola durante o dia e à noite eu o vi dormindo na rua (era um morador de rua), vi sujeira em alguns lugares como bitucas de cigarro no chão (a varredora do metrô recolheu uma pá cheia), em um dos parques vi em um canto garrafinhas de água e sacos de salgadinho no chão, vi dois mendigos comendo alimento do lixo…

Enfim, de tudo o que temos aqui, do bom e do ruim, vi por lá em maior ou menor escala, a diferença mesmo que afirmo que existe é que, pelos países onde passei, não vi:

Espanhol falando mal de espanhol e da Espanha
Inglês falando mal de inglês e da Inglaterra
Húngaro falando mal de húngaro e da Hungria
Sérvio falando mal de sérvio e da Sérvia
(como por aqui estou cansado de ver)
Brasileiro falando mal de brasileiro e do Brasil
Certamente essa foi a maior diferença que encontrei mesmo!!!

Volto orgulhoso de minha nação, de ser brasileiro, de ser proprietário de uma cultura valorizada no mundo e sobretudo muito honrado de ter podido ser, de alguma forma, um porta-voz na Europa do que considero a maior riqueza que temos por aqui: a nossa música!!

No Brasil!!!

De volta ao lar, a minha primeira providência foi fazer algo de que senti muita falta durante toda a semana: beber um café bem pretinho e comer um pão de queijo, u-hui!!!

Ofereço essa aos brasileiros que vivem fora do país, não para causar inveja, mas porque certamente são os que melhor vão entender a minha alegria…

À noite, a carinhosíssima recepção feita pelos amigos e familiares: Gente, eu amo todos vocês!!!!


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